Fotografia; Arquivo; Edição; Instalação; Oficinas; Conversas

O projeto “Biblioteca das Imagens Não Vistas”, engloba três atividades gerais: Oficina das Imagens Não Vistas, Latas na Cidade e Pele, atravessadas transversalmente pela criação, edição, formação e arquivo.
No âmbito deste projeto explorar-se-ão questões como a visibilidade, a fotografia como prática contemporânea, a natureza ficcional da narrativa fotográfica e as possibilidades da fotografia – e do património fotográfico como elemento identitário fundamental para as comunidades, experimentando os territórios da pós-memória, da pós-fotografia e as possibilidades de construção de um arquivo, como espaço de experimentação artística e de questionamento.
As atividades são acompanhadas por conversas públicas com os membros do coletivo Imagerie e convidados que trabalham dentro do espetro das atividades a realizar – autores, fotógrafos, professores, editores, etc. e abordarão temáticas pertinentes na prática fotográfica, como a relação entre a sociedade e a sua imagética, nomeadamente no que diz respeito à produção fotográfica contemporânea, o seu contexto digital, rápido e provisório.
É também relevante no contexto deste projeto o papel da fotografia como elemento identitário fundamental, e muito concretamente a ideia de imagem privada presente nos álbuns de família, objetos fotográficos narrativos que tendem ao desaparecimento no contexto digitalizado da sociedade contemporânea.
É precisamente no território das imagens não vistas que se desenvolve o projeto, quer seja pelo caráter privado das imagens do álbum de família, quer pela impossibilidade de determinar o enquadramento nas câmaras pinhole* (usadas tanto no projeto Latas na Cidade como na Oficina das imagens não vistas), ou pelas imagens destinadas ao desaparecimento.

*A fotografia pinhole (do inglês “furo de alfinete”), ou estenopeica, em português é uma técnica fotográfica sem recurso a lentes, que despoja a câmara de todos os acessórios “supérfluos”, criando imagens com o mínimo de recursos possível – basicamente, é a fotografia na sua essência.